A luz não nos retira do escuro, ela aguarda e espera enquanto vamos dando os nossos passos dentro da escuridão. A única claridade que nos acompanha são os resíduos elétricos que ficaram em nosso campo eletromagnético, resíduos de bens que praticamos, resíduos elétricos da nossa ética, do nosso amor ao próximo. Estes resíduos são a nossa única fonte de claridade enquanto caminhamos nas sombras. São estes resíduos, que promovem esta claridade, que nos ajudam a encontrar, dentro das trevas, um caminho, uma ponte. Atravessar esta ponte nos leva à luz.

O que vivo agora: vejo-me parada na ponte, de onde estou consigo ver a claridade da luz. Vejo-a com todas as cores do arco-íris, a luz vermelha bem clara, quase rosa, a luz laranja, a luz amarela, a luz azul, a luz violeta, a luz lilás e a luz magenta num processo circular trazendo de novo a luz vermelha que, neste circuito, é vinho, muito parecida com o violeta da primeira luz que vi. Estas cores criam luzes num circuito infinito.

Eu estou lá, parada na ponte, e ouço de onde estou que a bondade é uma das sombras da luz, mas que precisamos passar por esta sombra para sabermos, reconhecermos e burilarmos a nossa bondade. Caso contrário, o entusiasmo da bondade pode nos levar a dar pérolas a porcos, distribuir este sentimento puro com quem não o quer.

Os caminhos da bondade são largos, extensos, bondade não é sacrifício, bondade é fazer o bem para quem realmente precisa e de um bem. Bondade não é ajudar o preguiçoso, bondade não é ajudar o egocêntrico que sugam as energias da bondade e de fato não fazem nada com isto, se mantêm parados, estacionados para continuar sugando e quando a bondade já não se permite ajuda-los se viram contra ela chamando a bondade de ruindade.

Os caminhos da bondade são um longo aprendizado, um longo aprendizado, levando-nos, até, a momentos em que não somos bons conosco para sermos com o outro. Quando estamos na instância destes acontecimentos precisamos pensar que, o que o outro quer, é a nossa ruína para a satisfação dos seus desejos efêmeros. Se continuamos assim traímos a bondade.

É importante passar pelos caminhos da bondade para aprender a distinguir o que é ter bondade. E, ter bondade, é saber conduzir a bondade para pessoas e para lugares que verdadeiramente precisam dela. Enquanto conduzimos a bondade para pessoas que não precisam dela ainda não completamos o percurso.

Não querer ser ruim para ninguém – este é um aprendizado que só conseguimos fazer dentro do caminho da bondade. Neste caminho aprendemos que ninguém pode ser ruim para ninguém, parece um paradoxo, mas não é, é profundo. Quem quer de nós mais do que podemos dar não está a espera de bondade está à espera do nosso sacrifício.

Reflito, neste momento parada na ponte, se ainda há alguma preocupação em mim, algum sentimento de me sacrificar por alguém? Enquanto me faço esta pergunta olho para a ponte e sei que enquanto ainda há esta pergunta não é o momento de atravessá-la porque a luz não conduz a sacrifícios, nem a bondade. A bondade nos permite fazer alguns sacrifícios para aprendermos que o sacrifício não é bondade.

Estou na ponte olhando as luzes do outro lado, preparando-me, respirando para atravessar a ponte.

Halu Gamashi
Lisboa 23.07, 2017

 

 

3 Comentários

  1. Sonia Almeida

    Gratidão. Eu estou lendo os seus artigos e fico muito grata pela partilha do conhecimento.

    Responder
  2. KARLA MARINA BRAGA DIAS

    Com este Artigo pude levar Luz a inúmeras dúvidas dentro de mim, sobre o amor que dediquei a algumas pessoas , que na realidade, não queriam ou mereciam esse Amor!
    Não recebendo, não captando nenhuma energia , tudo que lhes foram doados com muito Amor. Muita culpa sentida por mim, em muitos momentos da jornada , literalmente em cima dessa mesma ponte , como você, Halu!
    Me libertou a Alma, ler esse Artigo!
    Gratidão!!!!

    Responder

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