Hoje eu acordei pensando na Natureza, nestes seres que já foram adorados como deuses em um tempo em que éramos mais inteligentes. 

Fico me perguntando como tem sido, para estas divindades, conviverem conosco. 

O vento e o frio me estimulam a pensar no sol, estrela de quinta grandeza, que nos dá calor e luz. 

É sabido por todos que o sol está a cada dia mais perto. O que será que ele sente com esta aproximação? Agora que nos conhece melhor, o que será que pensa de nós?  O que fazemos com seu calor e luminosidade? O que será que pulsa em suas entranhas divinas de astro rei? 

O sol me estimula a pensar na lua. Hoje eu não a verei, estará encoberta pelas nuvens e as nuvens, por sua vez, carregadas de água. Como será que a lua reflete, em si mesma, o que percebe da aproximação do sol conosco? Sentirá vergonha por nós ou, ainda será soberana e, contra toda a sua natureza, acalentará o sol fazendo-o olhar para o futuro? 

Temendo que sofra o sol com a aproximação que ela mesma sofreu quando nós nos aproximarmos dela, ela – a lua – busca forças na sua escuridão para cumprir o seu revés, lutando contra a sua própria natureza, para levar o sol para o futuro. Quem sabe ainda conseguirá iludi-lo, fazendo-o projetar a sua claridade para este futuro, onde lá estarão os filhos de Deus humanizados, confraternizando, valorizando a vida por já ter desistido, deixado no passado o morrer e o matar.  Conseguirá a lua tal proeza? 

Encontra-se ali, na sua redondeza, a parceira ideal para este intento. Por ali está Lilith, a deusa das ilusões.

Concordará Lilith com esta saga? A saga da lua que quer proteger o sol do sofrimento de conviver conosco. 

Mesmo que Lilith a acompanhe nesta jornada ainda não será o suficiente. Sabe a lua que precisará comover o tempo para que ele permita Lilith embebedar o seu futuro? Conseguirá a lua comover o tempo? Justamente o tempo que nos conhece tão bem? 

Desde o início dos tempos até o final dos tempos é ele, o Tempo, quem mais nos conhece e, de tanto nos conhecer, dividiu-se em três partes.

Princípio é a face do tempo que se ofereceu como morada para a esperança, criando assim uma muralha de proteção para ela. Na sua sabedoria sabe, o tempo, que a esperança precisa morar na sua face que principia.

Meio é a parte do tempo onde mora a escolha. Habitando o meio tempo, a escolha nos observa definindo as nossas próprias escolhas. E no Final  do tempo moram os que escolheram com o tempo caminhar. 

Sabendo dos tempos, quer a lua, agora, a cumplicidade do tempo e de Lilith para levar o sol a um futuro feliz. 

E ele, o sol, senhor da clareza, da claridade e da lucidez, se permitirá tal engodo? Será que o choro das águas não tem a força de informar ao sol sobre a nossa falta de escrúpulos? 

Será que a ação do fogo, revoltado por ver o sofrimento das águas, não tem a força de mostrar ao sol a nossa mesquinharia? 

Hoje acordei pensando nos elementos da natureza que já foram adorados como deuses em um tempo – em um princípio de tempo – no qual éramos mais inteligentes; e, alimentados pela esperança, acreditávamos que um dia seríamos, enfim, lapidados e humanizados. 

Esperançosos, e ainda inteligente, demos início a nossa jornada. Lá, naquela época, quando habitávamos na esperança – que habita nos princípios do tempo – sabíamos, mesmo sem nenhum conhecimento, muito mais do que sabemos agora. 

Hoje não sabemos mais nada. Hoje nos pautamos no que conhecemos, neste conhecimento tosco, inventado pela nossa ignorância que depauperou a nossa sabedoria.

Este conhecimento – que repetimos quando citamos outros homens que habitaram lá, no princípio do tempo -, este conhecimento, fruto peco das nossas interpretações completamente destituído de alma. Este conhecimento conveniente, que diz e se contradiz.

Para tanto, inventamos o paradoxo; e no paradoxo nos transformamos. 

Com amor por aqueles que estão por aí, no final dos tempos, em busca de um Princípio. 

Halu Gamashi
Capão, Chapada Diamantina
 Maio 2013

 

1 Comentário

  1. Sonia Graminhani

    Texto verdadeiro. Texto real. Claro, explicativo, informativo. Quase um poema. Mas é um alerta, um chamado. Quem tiver o entendimento e ouvidos para ouvir, que ouçam. Obrigada Halu por mais um chamado para o despertar – para a realidade – individual e coletivo. Beijo grande

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