Existia um homem que visitava o mar todos os dias
em busca do seu sustento.
E todos os dias, menos no dia do Senhor,
lançava sua rede ao mar em busca de peixes.
Oito horas marcava o sol o homem com a rede,
os braços no mar.
Findas as horas marcadas,
retornava a casa sem um único pescado.
E todos os dias repetia o homem a sua tarefa.

Todos o observavam,
E vendo-o dia após dia retornar com a rede vazia,
comentavam entre si:
“Como vive este homem? O que come? O que bebe?
Como paga os seus impostos se todo dia nada traz
das suas horas de trabalho?”
Passaram a observar com mais atenção,
e sempre vinha o homem com a sua rede,
e sua embarcação,
nas oito horas marcadas pelo sol…
e nenhum peixe.
Aqueles que o observavam armaram-se de pedras e paus,

julgando ser este um ímpio, pagão ou ladrão.
E fizeram um círculo em volta dele e montaram o tribunal.
O primeiro disse: “Só podes ser tu um pagão,
posto que Deus não te beneficia  com os peixes do mar.”
O segundo replicou: “Não. És um ímpio
que malfazeja  as águas
fazendo assim fugirem os peixes.”
O terceiro observou: “ És um ladrão.
Se nada trazes do fruto do teu trabalho
Como comes, como bebes,
Como pagas teus impostos
Senão roubando outro trabalhador? ”

Ouvindo o que diziam a seu respeito,
Chorou o homem sobre sua rede já molhada com o sal do mar
E respondeu: “Não sou pagão, pois respeito as ordens
do Senhor meu Deus. Não sujo as águas,
pois se assim o fizesse não entraria no mar todos os dias.
E ladrão não sei se sou
Pois se roubo não é com a minha violência.
Venham todos à minha casa. ”

O homem seguiu à frente levando sua rede.
Caminhou até sua casa, seguido pela multidão
Quando abriu a porta levou todos à mesa,
posta com peixes, pães, frutos e vinho
e explicou: “Todas as manhãs saio com minha rede ao mar,
trabalho as horas marcadas pelo sol e quando em casa
Já encontro minha comida pronta,
meu vinho na jarra
meu pão no cesto.

Um dos que o seguia perguntou:
“Se assim é, por que continuas indo ao mar
e passas lá as cansadas horas marcadas pelo sol,
sabendo de antemão que não trarás peixe?
E o homem respondeu:
“Porque assim tem de ser.
Pescar é o meu trabalho de todos os dias
É o meu trabalho.
Enquanto estou no mar fazendo o meu trabalho,
cumprindo a minha obrigação,
o Senhor meu Deus provê o meu sustento,
pois Ele sabe melhor do que eu,
melhor do que a rede, melhor do que o mar,
qual o melhor alimento para mim, todos os dias
Ele escolhe o que como, o que bebo,
E eu despejo sobre as ondas do mar o meu sangue,
transformado em suor pelo meu trabalho.
“E depois?” questionou outro. E ele calmamente respondeu:
“Sento-me a mesa e como do que há.
E hoje vocês comerão comigo.
Quanto são ao todo? ”
Um deles se encarregou da contagem
e todos eram vinte.

O dono da casa, que sabia não ser ele o dono da comida,
Olhou para a mesa e lá estavam vinte peixes.
Vinte pães e vinte cálices de vinho.
E disse aos seus convidados:
“Hoje o Senhor meu Deus não reservou
nenhum alimento para mim.
Sentem-se e comam,
Que o senhor Deus da Luz e da Força Eterna
Já pôs o banquete na mesa.
Sentem-se e comam,
agradeçam e orem.”
E um dos convidados perguntou:
“Por que não dividimos o que há e damos uma parte para ti
para que possas comer também?”
 E o homem respondeu:
“Eu comi ontem, antes de ontem,
antes de antes de ontem,
e muitos antes e muitos ontens,
e comerei amanhã e depois de amanhã.
Nada deixem para amanhã,
Porque amanhã já não mais pertencerá a vocês. ”

Texto extraído do livro “Meditando com a Consciência Suprema”; escrito por Halu Gamashi.

 

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